Vivemos na era do acesso ilimitado à informação, mas, contraditoriamente, também vivemos um dos períodos de maior desinformação da história. Nunca foi tão fácil saber o que acontece no mundo, e ainda assim, nunca foi tão comum ver pessoas abrindo mão de buscar informações verdadeiras e confiáveis. Como jornalista, isso não apenas me preocupa, como me alerta diariamente.
Na prática da profissão, percebo que grande parte do público deixou de recorrer a veículos confiáveis e de credibilidade. Em vez disso, consome conteúdos rápidos, rasos e muitas vezes sem qualquer compromisso com a verdade. A informação virou produto descartável, compartilhada sem leitura completa, sem questionamento e, pior, sem verificação.
A internet potencializou esse problema. Fake news circulam livremente e são espalhadas em velocidade impressionante. Vejo informações falsas sobre saúde sendo compartilhadas como se fossem orientação médica, levando pessoas a decisões perigosas. Vejo boatos políticos moldando opiniões e alimentando ódio. Vejo notícias falsas sobre segurança pública gerando pânico desnecessário. Tudo isso acontece porque muitos compartilham sem saber ou sem se importar com a veracidade do que estão divulgando. E isso é extremamente perigoso.
A falta de interesse por informação de qualidade não é inofensiva. Ela impacta diretamente a sociedade. Decisões importantes passam a ser tomadas com base em achismos, emoções e conveniências pessoais. O senso crítico se perde, a polarização cresce e o diálogo dá lugar ao confronto. Quando o jornalismo sério é ignorado, a desinformação ocupa o espaço que deixamos vazio.
Como jornalista, é impossível não se incomodar com esse cenário. Informação não é opinião solta, não é boato, não é corrente de rede social. Informação exige apuração, responsabilidade e compromisso com os fatos. Desvalorizar isso é enfraquecer um dos pilares fundamentais da sociedade.
Informar-se é um ato de responsabilidade individual e coletiva. Buscar fontes confiáveis, questionar o que se lê e refletir antes de compartilhar deveria ser um hábito básico. Em um mundo cada vez mais complexo, a indiferença à informação de qualidade tem consequências reais. Valorizar o jornalismo não é apenas defender uma profissão, é defender o direito à verdade e a construção de uma sociedade mais consciente.